Vozes ativas : socialização, vivências e resistência de estudantes negros do Ensino Médio em uma escola de Belo Horizonte - MG.
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Data
2022
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Resumo
A Lei n. 10639/03 que instituiu a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro-
brasileira no ambiente escolar, enfrentou muitos obstáculos até sua consolidação e a pressão do
Movimento Negro foi crucial para sua aprovação. Porém, até os dias atuais a aplicação da Lei
nas escolas ainda não se universalizou. O objetivo principal desta pesquisa foi compreender
como estudantes negros do Ensino Médio de uma escola estadual de Belo Horizonte
reconhecem e vivenciam os saberes invocados pela Lei n. 10.639/03 no ambiente escolar. A
investigação teve caráter qualitativo e utilizou-se da pesquisa bibliográfica, da análise
documental e da entrevista semi diretiva com quatro jovens negros concluintes do Ensino
Médio de uma escola estadual de Venda Nova, uma sub-região de Belo Horizonte, MG. A
discussão trazida na investigação abordou inicialmente a trajetória do Movimento Negro e seu
envolvimento com a educação enxergando nesse campo uma grande possibilidade de
emancipação da população negra desde o pós escravidão no século XX até a aprovação das leis
de ações afirmativas de discriminação positiva, em especial a Lei n. 10.639/03. Para tal
discussão foram cruciais autores como Gomes (2017) e Domingues (2009) dentre outros.
Também foi realizada uma reflexão sobre juventudes, com ênfase nas lógicas socializadoras
das camadas populares e na juventude negra, trazendo dados sobre o processo de exclusão dessa
população no Ensino Médio. Para isso, autores como Dayrell (2007) e Thin (2010) foram muito
importantes, entre outros. Com a análise da literatura, das leis, das entrevistas e do Projeto
Político Pedagógico (PPP) da escola estudada buscamos relacionar as respostas dos estudantes
sobre as relações étnico-raciais e suas experiências na escola. Os resultados nos mostram que:
A abordagem das relações étnico-raciais na escola não reflete um ambiente democrático em sua
acepção ampla e cotidiana; é necessário o fomento de uma “cultura escolar para as relações
étnico-raciais”. Outro ponto encontrado em nossa pesquisa foi a apropriação heterodoxa de
espaços que a escola cedia para os alunos, culminando em manifestações relativas às questões
étnico-raciais de maneira mais próxima ao que os alunos julgavam ser uma abordagem
apropriada ao tema e ao que preconiza a Lei n. 10.639/03. Por fim, vale ressaltar que fica notória
a necessidade de uma maior abertura da escola com relação aos anseios dos jovens,
proporcionando canais de uma escuta ativa para possíveis proposições de intervenção.
Descrição
Programa de Pós-Graduação em Educação. Departamento de Educação, Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Ouro Preto.
Palavras-chave
Educação, Ensino médio, Jovens negros, Juventude, Cultura afro-brasileira
Citação
SILVA, Charles Luiz da. Vozes ativas: socialização, vivências e resistência de estudantes negros do Ensino Médio em uma escola de Belo Horizonte - MG. 2022. 121 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2022.