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Título: Plantas úteis em comunidades urbanas : a importância das espécies exóticas e do gênero na manutenção do conhecimento e uso dos recursos vegetais.
Autor(es): Guimarães, Mariana Fernandes Monteiro
Orientador(es): Messias, Maria Cristina Teixeira Braga
Palavras-chave: Agrobiodiversidade
Desenvolvimento urbano sustentável
Etnobotânica
Conhecimento e aprendizagem
Data do documento: 2016
Membros da banca: Moebus, Ricardo Luiz Narciso
Drumond, Maria Auxiliadora
Referência: GUIMARÃES, Mariana Fernandes Monteiro. Plantas úteis em comunidades urbanas : a importância das espécies exóticas e do gênero na manutenção do conhecimento e uso dos recursos vegetais. 2016. 109f. Dissertação (Mestrado em Ecologia de Biomas Tropicais) - Instituto de Ciências Exatas e Biológicas, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2016.
Resumo: Este estudo pretendeu compreender como fatores sociais, culturais, econômicos e ecológicos modelam a escolha de espécies úteis de uma comunidade. Primeiramente avaliou-se como o comportamento social nos diferentes gêneros modela a diversidade de espécies úteis conhecidas. E ainda, analisou-se se os diferentes gêneros e o grau de proximidade do centro urbano afetariam a escolha de espécies nativas e exóticas para compor o elenco de plantas úteis. Analisou-se também se as espécies exóticas ocupariam funções utilitárias não existentes no elenco das espécies medicinais nativas. Este estudo foi desenvolvido em Ouro Preto, cidade patrimônio mundial, reconhecida também pelo valioso patrimônio cultural, o qual inclui o saber popular sobre as plantas oriundos da mistura dos povos nativos indígenas e de imigrantes africanos e europeus. Analisou-se o saber popular de especialistas populares de duas comunidades urbanas desse município, próximas a APA Estadual da Cachoeira das Andorinhas e Parque Natural Municipal Arqueológico do Morro da Queimada. Foi utilizada a técnica “bola de neve” (Snow ball) para a seleção dos especialistas locais em plantas. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas e turnês guiadas para identificação e coleta de material botânico. As entrevistas semiestruturadas envolveram aspectos socioeconômicos dos entrevistados e do saber sobre as plantas úteis nas diversas categorias de usos. Para verificar se a riqueza de plantas úteis conhecidas é estatisticamente diferente entre homens e mulheres utilizou-se o teste Qui-quadrado. Utilizou-se o Teste G de Williams para analisar se a riqueza de espécies é significativamente diferente entre gêneros, em relação às diferentes categorias de uso de plantas. Para comparação de padrões de diversidade de plantas úteis conhecidas por homens e mulheres foram ajustadas curvas de acumulação de espécies para cada gênero (masculino e feminino) utilizando-se do método de rarefação. As equações obtidas foram linearizadas e os modelos lineares obtidos para cada gênero e foram comparados pelo método de identidade de modelos para verificar a existência de diferenças entre os interceptos (diversidade α) e de inclinação (diversidade β). As doenças tratadas com plantas citadas foram categorizadas pela CID10 (Código internacional de doenças). Para testar a hipótese da diversificação, verificando se o uso medicinal de espécies exóticas e nativas é ou não similar, utilizou-se a Análise de Similaridades – ANOSIM. Para verificar se a distância do centro urbano existente nas duas comunidades, assim como o gênero dos entrevistados influenciava na proporção de espécies nativas e exóticas citadas utilizou-se o teste de Qui-quadrado. Foram entrevistados 52 pessoas, sendo 35 mulheres e 17 homens. Identificou-se 293 espécies de plantas úteis, reunidas em 86 famílias, distribuídas em 13 categorias de uso (alimentício, combustível, corante, cosmético, forragem, importância ecológica, madeireiro, medicinal, místico, ornamental, tecnológico, tóxica e veterinário). A riqueza de espécies conhecidas por homens e mulheres não diferiu estatisticamente. Também não houve diferença significativa na riqueza de espécies entre os gêneros nas diferentes categorias .de uso. Embora não tenham sido observadas diferenças significativas entre a riqueza de espécies citadas por homens e mulheres, foi verificado maior diversidade β dentro do universo masculino que conhece e maneja as plantas úteis. Estes resultados sugerem que há menor compartilhamento de informações entre os homens, levando a uma maior heterogeneidade entre o repertório de plantas úteis conhecidas por cada indivíduo. Em contrapartida, o hábito de partilhar informações entre as mulheres, resulta em uma maior homogeneidade no elenco de espécies conhecidas. Em relação ao uso medicinal, foram identificadas 206 espécies de plantas medicinais (93 nativas e 113 exóticas). Os resultados apontam uma grande diversidade de espécies medicinais de diferentes origens, sobretudo exóticas. Foram citadas espécies para o tratamento de 18 categorias de doenças, das 21 categorias existentes na CID 10. Espécies exóticas são indicadas para diversas categorias de doenças, inclusive aquelas em que há citações de espécies nativas. Dessa forma não se confirmou a hipótese da diversificação, em que as plantas exóticas tenham sido incorporadas às farmacopeias locais para suprir lacunas existentes no elenco de plantas medicinais nativas. A distância do centro urbano, assim como o gênero também não influenciaram significativamente na proporção de espécies citadas das diferentes origens. No entanto, a redundância utilitária observada mostra importância no aspecto da conservação, pela redução da pressão de uso sobre as espécies nativas e ainda, contribui para a resiliência e manutenção do saber popular do tratamento com base em plantas.
Resumo em outra língua: This study is intended to understand how social, cultural, economic and ecological factors shape the choice of species used in a human community. Initially, the diversity of useful species known was evaluated as a function of the different living conditions of the communities. Further, whether the gender and the degree of proximity to the urban center of the different communities would affect the choice of native and exotic species used by the communities was examined. The study also examined if those exotic species occupied gaps that have no existing native medicinal species with equivalent functions. This study was conducted in Ouro Preto, a world heritage city, and also recognized for a valuable cultural heritage resulting from the mixture of indigenous peoples and African and European immigrants. The popular knowledge of local experts in two urban communities of this municipality was analyzed. These were close to the Environmental Protection Area of Cachoeira das Andorinhas and the Municipal Archaeological Nature Park Morro da Queimada. The second is closer to the urban center. The snowball technique was used for the selection of local experts in plants. Semi-structured interviews and guided tours for the identification and collection of botanical material were carried out. The semi-structured interviews included socioeconomic aspects of respondents and their knowledge of useful plants in the various categories of use. To verify if the richness of knowledge of useful plants is statistically different between men and women the chi-square test was used. The William G test was used to analyze if the knowledge of species into the different plant use categories was different between genders. To verify if the distance to urban centers as well as gender of the respondents influenced the proportion of native and exotic species mentioned, the chi-square test was used. To compare the useful plant diversity know by men and women species accumulation curves were fitted for each gender using the rarefaction method. Equations were linearized and the linear models obtained for each gender were compared using the model identity method to check for differences between the intercepts ( α diversity) and slopes ( β diversity). Diseases treated by cited plants were categorized by ICD-10 (International Classification of Diseases). To test the hypothesis of diversification, where there are differences in the medical use of exotic or native species, the Similarity Analysis – ANOSIM was used. To verify if the distance to an urban center as well as gender of the respondents influenced the proportion of native and exotic species mentioned, the chi-square test was used. A total of 52 individuals (35 women and 17 men) were interviewed. There were 293 species of useful plants, into 86 families. Thirteen categories of use (food, fuel, dye, cosmetic, fodder, ecological, timber, medicinal, mystical, ornamental, technological, toxic and veterinary) were reported. The number of species known by women and by men did not differ significantly. There were also no differences in species richness between different genders based on different categories of use. Although significant differences in species richness reported by men and women were not observed, a greater β diversity was found within the male group of specialists in useful plants. These results suggest that there is less information sharing among men, leading to greater heterogeneity in the repertoire of useful plants known to each individual. In contrast, the habit of sharing information among women, results in greater homogeneity in the cast of known species. The results show a great diversity of medicinal species of different origins. Exotic species have been especially mentioned for the treatment of the disease categories 18 and 21 in ICD 10. Exotic species are listed for several categories of diseases, including those for which there are citations of native species. Thus, the hypothesis of diversification where exotic plants have been incorporated into the local pharmacopoeia to fill gaps in the range of native medicinal plants was not confirmed.The distance from the urban center and gender did not significantly influence the proportion of native and exotic species cited by the experts. However, the redundancy in use of native and exotic species shows an important aspect of conservation because of the reduction of pressure in the over use of native species. Increasing the diversity of useful plants, using both native and exotic species also helps in maintaining the popular knowledge of plant based treatments.
Descrição: Programa de Pós-Graduação em Ecologia de Biomas Tropicais. Departamento de Biodiversidade, Evolução e Meio Ambiente, Instituto de Ciências Exatas e Biológicas, Universidade Federal de Ouro Preto.
URI: http://www.repositorio.ufop.br/handle/123456789/7061
Licença: Autorização concedida ao Repositório Institucional da UFOP pelo autor, 17/10/2016, com as seguintes condições: disponível sob Licença Creative Commons 4.0, que permite copiar, distribuir e transmitir o trabalho, desde que seja citado o autor e licenciante. Não permite o uso para fins comerciais nem a adaptação desta.
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